
“A lei é sempre escrita pelas maiorias que malfazem”, lê-se na parede suja de uns antigos armazéns à beira-mar da cidade que Dom Vasco da Gama, ali ao fundo, imponente e redondo, guarda do alto.
O desenho das letras, a negro, é uniforme e, desconfiar-se-á avante nesta história, “obra de tintas de malandros”.
A mulher que aí vem, e que me chega primeiro ao nariz do que aos olhos, traz – depois de todo aquele perfume de que não pode despir-se – um xaile brilhante aos ombros e um semblante indagador envolvido numa inflexível cabeleira loira.
“Estou farta de olhar para aquelas letras”, diz a boca enorme e vermelha, com mais batom que lábios. “Não estavam ali ontem, sei bem que não estavam. Nunca ali estiveram”, assevera e ajeita o xaile, fadista-conspiradora.
“Isto não são coisas que se escrevam aqui. Isto é o pátio da Santa das Salas”, indigna-se, simultaneamente temerosa. “É como se fosse a sala de visitas dela, o sítio onde recebe gente”.
“Assusta-me muito. Estou farta de pensar e acho que a frase é mentira. Nem a percebo bem, mas deve ser mentira. Deve ser tinta de malandros”.
“A lei é sempre escrita pelas maiorias que malfazem”, repete.
“Não percebo. O que isto é mesmo é um grande mistério. E não gosto. A santa a ver isto, não há-de gostar, não há-de gostar”.
Tem medo e confessa-mo em surdina.
Assegura-me que “as pessoas são bem capazes de não ter dado por nada porque ali a gente é pouco atenta e não gosta de pensar nas coisas da vida, do mundo. Mas a Santa, essa, há-de dar, se é que já não deu”.
“A igreja foi construída no início do século XVI por iniciativa de Vasco da Gama, que, como as gentes de Sines, tinha grande devoção a Santa Maria das Salas”, explica.
“É uma Santa de respeito, de idade, que está aqui há séculos”, diz apressada, enquanto vira costas e se afasta para esquadrinhar em terreno mais fértil: “Adeuzinho, vou acalmar os nervos à Santa”.
O desenho das letras, a negro, é uniforme e, desconfiar-se-á avante nesta história, “obra de tintas de malandros”.
A mulher que aí vem, e que me chega primeiro ao nariz do que aos olhos, traz – depois de todo aquele perfume de que não pode despir-se – um xaile brilhante aos ombros e um semblante indagador envolvido numa inflexível cabeleira loira.
“Estou farta de olhar para aquelas letras”, diz a boca enorme e vermelha, com mais batom que lábios. “Não estavam ali ontem, sei bem que não estavam. Nunca ali estiveram”, assevera e ajeita o xaile, fadista-conspiradora.
“Isto não são coisas que se escrevam aqui. Isto é o pátio da Santa das Salas”, indigna-se, simultaneamente temerosa. “É como se fosse a sala de visitas dela, o sítio onde recebe gente”.
“Assusta-me muito. Estou farta de pensar e acho que a frase é mentira. Nem a percebo bem, mas deve ser mentira. Deve ser tinta de malandros”.
“A lei é sempre escrita pelas maiorias que malfazem”, repete.
“Não percebo. O que isto é mesmo é um grande mistério. E não gosto. A santa a ver isto, não há-de gostar, não há-de gostar”.
Tem medo e confessa-mo em surdina.
Assegura-me que “as pessoas são bem capazes de não ter dado por nada porque ali a gente é pouco atenta e não gosta de pensar nas coisas da vida, do mundo. Mas a Santa, essa, há-de dar, se é que já não deu”.
“A igreja foi construída no início do século XVI por iniciativa de Vasco da Gama, que, como as gentes de Sines, tinha grande devoção a Santa Maria das Salas”, explica.
“É uma Santa de respeito, de idade, que está aqui há séculos”, diz apressada, enquanto vira costas e se afasta para esquadrinhar em terreno mais fértil: “Adeuzinho, vou acalmar os nervos à Santa”.
1 comentário:
olé,joana!
vim saber de si e dou com esta santa que queria estudar!
beijinhos
zé justino
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